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terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Soneto a Beatriz / Luis Vaz de Camões * Antonio Cabral Filho - RJ

Soneto a Beatriz
Luis Vaz de Camões - PT
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Formosa Beatriz, tendes tais jeitos
num brando revolver dos olhos belos,
que só no contemplá-los, se não vê-los,
se inflamam corações e humanos peitos.

Em toda perfeição são tão perfeitos,
que o desenganos dão de merecê-los:
Não pode haver quem possa conhecê-los,
sem nele Amor fazer grandes efeitos.

Sentiram, por meu mal, tão grandes danos
os meus, que com os ver, cegos e tristes
ficaram sem prazer, com a luz perdida.

Mas, já que vós com eles me feristes,
tornai-me a ver com eles mais humanos,
e deixareis curada esta ferida.

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terça-feira, 9 de janeiro de 2018

O "Adeus" de Teresa / Castro Alves * Antonio Cabral Filho - Rj

O "Adeus" de Teresa
 Castro Alves - Ba
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A vez primeira que eu fitei Teresa,
como as plantas que arrasta a correnteza,
a valsa nos levou nos giros seus...
E amamos juntos... E depois na sala
"Adeus" eu disse-lhe a tremer co'a fala...

E ela, corando, murmurou-me: "adeus."!

Uma noite... entreabriu-se um reposteiro...
E da alcova saía um cavaleiro
inda beijando uma mulher sem véus...
Era eu... Era a pálida Teresa!
"Adeus" lhe disse conservando-a presa...

E ela entre beijos murmurou-me: "adeus!"

Passaram tempos... sec'los de delírio
prazeres divinais... gozos do Empíreo...
.... Mas um dia volvi aos lares meus.
Partindo eu disse - "Voltarei! ... Descansa!..."
Ela, chorando mais que uma criança,

Ela em soluços murmurou-me: "adeus!"

Quando voltei... era o palácio em festa!...
E a voz d'Ela e de um homem lá na orquestra
preenchiam de amor o azul dos céus.
Entre!... Ela me olhou branca... surpresa!
Foi a última vez que eu vi Teresa!...

E ela arquejando murmurou-me: "adeus!"

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terça-feira, 17 de outubro de 2017